Como resgatar a sua criança interior

Fiquei emocionado quando dias atrás eu vi o comercial da Nike sobre futebol feminino. A história era de uma garotinha que arrancou a cabeça da boneca para jogar futebol, e em seguida, disse a frase: “Nada contra bonecas, mas é que eu sempre gostei de futebol”. Quantas vezes nós, quando éramos crianças, não ouvimos algo parecido? “Não brinca de boneca”, “Não brinca de carrinho.” “Menina não solta pipa.” “Menino não deve chorar.” E assim, fomos moldados segundo o que uma sociedade sempre esperou de nós – e, não é à toa que existem tantas pessoas frustradas na vida, seja com o trabalho, seja com a vida que escolheu seguir, sem ao menos saber o porquê.

A imagem da menina que arranca a cabeça da boneca para jogar bola é muito poderosa e simbólica: precisamos ressignificar o que nos dão como peças do jogo. E uma criança sabe fazer isso como ninguém. Inventam novas brincadeiras com os colegas, cantam musiquinhas com o que ouvem, encenam diálogos, criam cenas, constroem cabaninhas, brincam com os bichinhos de estimação. Enfim, são criativas até o limite e fazem disso o seu universo ilimitado de possibilidades.

Menos recursos, mais criatividade

Uma pesquisa da Universidade de Toledo, nos EUA, comprovou uma hipótese inusitada: crianças que têm menos brinquedos são mais criativas e brincam melhor. Isso quer dizer, necessariamente, que quanto menos você tem, mais você precisa inventar. E o inventar está diretamente ligado ao exercício da criatividade nas suas mais variadas nuances. Basta ver o quanto essa hipótese, que parece até muito simplista, tem sido replicada para situações outras, como a criação de um armário cápsula, por exemplo, no qual você possui apenas 60 peças entre roupas, sapatos e acessórios, para criar looks diversos – sabe aquela história de que menos é mais? Ter menos estimula a nossa criatividade e nos faz ter mais contentamento com as coisas que temos.

Essa criança interior faz parte do que você é

Resgatar a criança interior, em suma, é voltar a criar com pouco e se divertir com isso (ou seja, parar de dar desculpas para começar algo novo) e, claro, lembrar-se daquelas pessoas que tanto disseram que você não era capaz, e resgatar aquela criança acuada que tanto fazia coisas novas sem medo do que as pessoas estavam pensando sobre ela. Quando chega a época de outubro e as pessoas mudam as fotos dos perfis do Facebook para quando eram crianças, eu penso sobre a criança que fui. Nos quantos “nãos” eu ouvi, em quantas vezes eu inventei novas brincadeiras até o sol se pôr, que era quando a minha mãe me pedia para voltar pra casa. Enfim, muito mais do que um resgate dessa criança, olhe com carinho para o que você foi, perdoe e se reconcilie com aquele ser pequenino, que só queria ser feliz e brincar e mais nada.

No meu canal do YouTube, “Empreendedor Criativo”, eu gravei dois vídeos onde ensino a resgatar a criança interior. Confira:

 

Como está a sua criança interior? Vá brincar com ela – com a vantagem de que agora a sua mãe não vai mais te chamar para entrar em casa.

Abraço,

André Castilho