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O que é branded content e como ele pode ajudar a sua empresa

By | branded content, criatividade, La Casa de la Madre, marketing, storytelling

Curta-metragem produzido para a TAM pela produtora La Casa de la Madre

 

E se eu perguntasse a você qual foi o posicionamento de marca que mais chamou a sua atenção nos últimos tempos, você saberia responder? É muito provável que sim, pois ações pautadas no branded content, ou conteúdo de marca, costumam ser muito impactantes para as personas que se destinam e são lembradas com afeto ou simplesmente por terem causado uma boa sensação.

Grandes marcas como Dove, Coca-cola, Nike, Latam, Sky, O Boticário e várias outras, costumam usar o branded content como parte integrante das estratégias de marketing. É uma forma de se conectar com o público e transformá-los em verdadeiros embaixadores da marca, seja por questões humanas, seja por questões sociais, seja por questões meramente afetivas: o importante aqui é tocar no coração. Quer saber como fazer e conhecer alguns casos de sucesso? Acompanhe!

Branded content: criando um posicionamento de marca

Branded content, ou conteúdo de marca, é criar conteúdos diretamente relacionados ao contexto ao qual a marca pertence para transmitir mensagens que conectem a persona ao produto ou serviço. Ao invés de veicular anúncios e propagandas destinados somente a vender produtos, o branded content se ocupa de criar narrativas que engajam e transformam o consumidor em um agente de transformação ou mesmo de disseminação de alguma mensagem.

Content marketing versus branded content

Apesar de o nome ser parecido, content marketing ou marketing de conteúdo, não faz parte de uma estratégia de branded content, afinal, o primeiro destina-se a produzir conteúdo e informação para nutrir os leads que serão convertidos em vendas, enquanto o segundo faz parte de uma estratégia mais consolidada e que deve ser melhor pensada para tornar o público cativo ou verdadeiro adorador de determinada marca. Em tempos de redes sociais, uma estratégia de branded content deve ser muito bem pensada, pois qualquer deslize pode representar uma enxurrada de comentários e/ou avaliações negativas – algo que compromete diretamente a imagem da marca.

Como produzir uma boa estratégia de branded content?

Primeiramente é preciso conhecer a sua audiência. Quem são as personas, o que elas gostam, quais são os hobbies, quais são as motivações, e mais: o que faz os olhos delas brilharem? O que demanda uma série de pesquisas e coletas de dados nas mídias sociais e em canais comumente utilizados por essas pessoas. Além disso, observe os casos bem-sucedidos das empresas que já se utilizaram de branded content para reforçarem o posicionamento de suas marcas. E, por último, mas não menos importante: sempre personalize a mensagem. Esqueça os call-to-action e mensagens voltadas para a massa. As estratégias de branded content costumam ter um nicho bastante específico e que deve ser muito bem trabalhado.

Cases de sucesso utilizando branded content

Separei aqui, alguns cases de sucesso de filmes que eu criei na minha produtora, a La Casa de la Madre, que se utilizaram da estratégia de branded content e fizeram a diferença, seja pelo número de visualizações nos vídeos, seja pela repercussão na mídia ou pelos compartilhamentos nas redes sociais – que ocasionaram em consumidores apaixonados e verdadeiros evangelizadores das marcas.

Sky e Rock in Rio: “Na Rota do Rock”

Minissérie para a Sky e para o Rock in Rio que contava, em formato docu-reality a história de quatro músicos rumo ao maior festival de música do Brasil a bordo de um motorhome. Os vídeos somam mais de 30 milhões de visualizações.

Huggies: “Conhecendo Murilo”

No Dia das Mães, contamos a história de uma mulher deficiente visual que esperava pelo seu primeiro bebê. Com a ajuda de uma impressora 3D, imprimimos o ultrassom e, assim, ela pode conhecer seu filho antes dele nascer. A campanha teve premiações internacionais e foi citada nos principais veículos de mídia no mundo todo.

TV Globo: “Movido a Respeito”

Graças à tecnologia, um tetraplégico consegue realizar o sonho de pilotar um carro de F1, usando apenas o pensamento. A campanha foi vista por milhares de pessoas e rendeu atenção da mídia internacional e o prêmio Grand Clio Awards, até então inédito na América Latina.

Latam Airlines: “Reencontro”

Para celebrar a transição da marca TAM para Latam, criamos um filme de ficção em curta-metragem, contando a história de reaproximação de um avô com seu neto. O filme foi visto por 2 milhões de pessoas e foi selecionado para o festival de Hollywood LA Short Festival.

Da próxima vez que assistir um filme ou uma série, repare se você por acaso não está consumindo um conteúdo feito por uma marca. Netflix que se cuide.

 Abraços,

André Castilho

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Natal e Ano Novo: Como contar histórias originais

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Data mais esperada do ano não só pelo comércio, mas por muitos fãs de luzes e Papai Noel, o Natal é uma ótima oportunidade e uma fonte inesgotável de storytelling. Da mesma forma, o Ano Novo oferece 365 chances diferentes de contar histórias e reinventar a sua marca. Novos planejamentos, novos sonhos e novos direcionamentos também motivam a sua audiência, que renova os votos para o próximo ano. Por isso, vamos inspirá-la?

Se o objetivo é contar histórias que comovem, envolvem e emocionam, tire da gaveta os melhores personagens e use as datas a seu favor. Aqui, quase tudo consegue ser aproveitado, sem fazer qualquer distinção entre os segmentos.

Apesar de ser uma data cristã, assim como a Páscoa, o feriado do Natal é nacional e vale até para os pagãos. Como já é de se esperar, as marcas não se apegam ao significado formal, mas sim aos sentimentos que envolvem o espírito natalino e podem motivar mensagens edificantes.

Afinal, Natal é tempo de refletir, de repensar o amor, a caridade, o respeito, a igualdade e começar a planejar o novo ano que logo se iniciará. Sem dúvidas, esse é um bom caminho para quem deseja arrancar lágrimas de uma audiência propensa a se emocionar. Existe uma comoção muito grande em torno da reunião com entes queridos – ou da ausência dos mesmos -, com a aproximação de pessoas que estão distantes e com as reconciliações e reencontros. Palco, assim, para histórias inesquecíveis que mostrem para a sua audiência o real significado da festa cristã.

Gostamos de ganhar presentes no Natal? Certamente gostamos. Acontece que o significado mercadológico das datas pode desestimular as pessoas a trocarem presentes. Isso porque é importante tirar a obrigatoriedade da troca de mimos e exaltar os motivos pelos quais uma pessoa decide presentear a outra.

Um outro ponto comum à época do Natal é que estamos mais propensos a acessar nossas memórias antigas, de outros Natais, outros tempos que remontam nossa história de vida.

Em 2013, produzimos para Lacta um vídeo emocionante sobre as lembranças que a marca gostaria de deixar para o Natal daquele ano. Ela estava completando 100 anos e fez uma retrospectiva dos objetos mais emblemáticos da nossa história nesse período. Em clima de amor, família e gratidão, o resultado ficou recheado de emoção e chocolate.

Lacta 100 anos – TV from La Casa de la Madre on Vimeo.

Em 2015, a marca alemã Edeka fez todo mundo chorar com um velhinho que forjou a própria morte para ter a família reunida no Natal. Longe dos filhos e sempre solitário, todos os anos ele esperava que os familiares o visitassem, mas sem sucesso. Foi então que espalhou a notícia de que havia morrido e, só assim, um a um, os filhos aparecem na casa do pai e conseguem jantar juntos depois de muitos anos.

No mesmo ano, a Leo Burnett Tailor Made criou para a Loteria de Natal da Espanha uma campanha com o personagem Justino. Como tradição nacional, desde 1812, o sorteio é marcado pelas apostas em grupo, onde as pessoas compartilham os ganhos através da compra de bilhetes com amigos e familiares. A história se passa dentro de uma fábrica de manequins.

E se no Natal vivemos de lembranças, no Ano Novo, olhamos para frente. Ao pular das 7 ondinhas, prometemos para o próximo ano uma versão muito melhor de nós mesmos, superando traumas, tocando projetos, propondo-nos a fazer algo que nunca ousamos. E claro, prometendo que dessa vez vai ser diferente das promessas do ano anterior. No finalzinho de 2016, a Leo Burnett e a Samsung nos procuraram para contar a história de três pessoas que fizeram promessas que ainda não tinham sido cumpridas. A proposta era ajudá-los a realizar as promessas, antes do ano virar: uma moça teve aulas de boxe, outra aprendeu a andar à cavalo e um rapaz que queria perder medo de água foi mergulhar no oceano. Com um conceito forte, criamos filmes que aproximaram a marca da audiência através de uma conexão emocional profunda, porque partiram de uma verdade universal: somos bons em fazer promessas, mas não em cumpri-las.

SAMSUNG | UNKEPT PROMISES | OCEAN from La Casa de la Madre on Vimeo.

Contagie-se com o espírito das festas e dê chance para o novo. Esqueça os presentes e se faça presente. Deixe de lado os clichês rasos da publicidade e mergulhe em histórias sobre personagens que transbordam verdade (mesmo que através de uma ficção). É um bom jeito de começar o próximo ano: sendo lembrado não pelo cérebro, mas pelo coração.

Black Friday: como sair da mesmice

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É claro que todo mundo está mais do que interessado nas ofertas e descontos da Black Friday e, consequentemente, as campanhas em torno do tema se resumem a anunciar produtos e serviços com descontos. No entanto, lembre-se que a grande liquidação do ano acontece na última sexta-feira de novembro, ou seja: praticamente um mês antes do Natal.

Levando isso em consideração, muitas pessoas já programam as compras de final de ano durante a Black Friday. É comum, assim, que o ticket médio seja mais alto do que em datas como Páscoa, Dia das Mães ou Dia dos Namorados, por exemplo.

Por se tratar de uma grande queima de estoque, itens mais caros são adquiridos nessa época. Pois bem: se as pessoas aguardam a data para conferir os preços e fazer compras, estar estimuladas a comprar é algo muito recompensador. Gerar uma expectativa interessante em torno desse momento pode impulsionar as vendas de itens importantes para os consumidores.

O direcionamento dos departamentos de marketing está diretamente ligado ao anúncio de promoções e à atração de visitas na concorrida disputa pela audiência. Porém, que tal estimular que sonhos sejam realizados? Desde a compra de um eletrodoméstico até um pacote de viagens, muitos são os itens que despertam o desejo das pessoas.

A realização de sonhos é muito relativa, mas sabemos que a Black Friday já se tornou uma data aproveitada por todos os setores. De olho no seu segmento, procure histórias que façam sentido para cada ambiente e círculo de consumo.

Trabalhar duro o ano todo pode significar ter momentos especiais com a família durante as férias. Uma mãe que tem dois filhos trabalhou todos os meses do ano para juntar um dinheirinho. Desdobrando-se entre as crianças, fazendo os trabalhos domésticos e ainda trabalhando fora, ela encontrou um tempo extra para passear com os cachorros do seu prédio. Com a chegada de novembro, aguardou a Black Friday para comprar os materiais e construir a tão sonhada piscina no quintal. Em parceria com os filhos e os descontos da Black Friday, a diversão do verão ficou garantida.

Uma jovem empreendedora sonha em ser chef de cozinha, mas os equipamentos para seu próprio espaço são muito caros. Ao longo do ano, ela fez cursos, melhora sua culinária e se dedica para aperfeiçoar seus pratos autorais. Cozinhando em casa mesmo e vendendo seus produtos, consegue juntar aquele dinheirinho que faltava para montar uma cozinha profissional justamente em novembro.

Deu para pegar o espírito. O segredo é despertar a curiosidade e a imaginação da sua audiência, mostrando todas as possibilidades que os descontos podem trazer. Mas mire no coração, porque aí o caminho até o bolso fica bem mais fácil.

Outubro Rosa

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Foi na década de 1990 que o movimento Outubro Rosa ganhou força no mundo todo, com o objetivo de estimular a participação da população no controle do câncer de mama. Por se tratar de uma causa nobre, tornou-se comum que muitas marcas, instituições e empresas pintem suas fachadas e canais digitais com a cor rosa, além de promover ações como forma de apoiar a prevenção.

Todas essas iniciativas são muito importantes e ajudam a disseminar a campanha. No entanto, adotar uma cor não significa dialogar honestamente com a sua audiência. Não pense, inclusive, que apenas as mulheres com mais de 40 anos devem receber essa informação. A educação é a melhor forma de sistematizar e tornar o exame das mamas um hábito e um compromisso social.

Dessa forma, nada melhor que do que começar com a base, ensinando para crianças e jovens a importância de cuidar da própria saúde. Além disso, é uma oportunidade para que as pessoas conheçam melhor o próprio corpo e sigam incentivando a reverberação do assunto por todos os núcleos e grupos.

Com essa análise, já é possível gerar inúmeras boas histórias. Desenhos e ilustrações podem fazer ótimas analogias. Meninas que descobrem como fazer o exame e entendem as transformações da vida adulta, com certeza, reverberam com naturalidade o assunto. Falar abertamente pode ajudar a quebrar tabus, reduz o constrangimento que algumas mulheres podem sentir durante o exame e proporciona aos homens, também, a participação no cuidado e prevenção.

Por falar neles, o Outubro Rosa não pode se limitar apenas à cor que socialmente corresponde às mulheres. Abrir o diálogo com o universo masculino também estimula que eles realizem exames periódicos e preventivos. Outro assunto delicado, mas muito importante de ser discutido, é o apoio que mulheres vítimas de câncer precisam receber durante o tratamento. Mostre para aos parceiros e familiares como é o tratamento, quais as consequências e como eles podem ser fundamentais na recuperação das pacientes.

As histórias de motivação, por sua vez, não podem faltar, é claro. De acordo com dados do Instituto Nacional Americano do Câncer, para mulheres em estágio 0 ou 1, as chances de cura chegam perto dos 100%. Em estágio 2, a porcentagem se aproxima de 93%. Ou seja: a prevenção salva vidas e as mulheres que conseguem descobrir a doença precocemente tem altas chances de se curar – e muitas já se curaram. Conte como elas recomeçaram, dê perspectivas de esperança, desconstrua conceitos equivocados. Dê esperança para quem está passando por isso e mostre que ela não está sozinha na luta.

Pelo mundo, o movimento se chama “Breast Cancer Awareness Month” ou “Pink October” e arrasta uma legião de ações e campanhas em torno do tema. No Reino Unido, em 2012, a atriz escocesa Elaine C. Smith gravou um comercial para a TV com uma mensagem direta e sem rodeios. Sem usar blusa, ela tapou os próprios seios com fotos dos seios de outras mulheres. O objetivo foi começar um movimento para quebrar o tabu em torno dos seios e incentivar o autoexame.

A simplicidade da campanha motivou que uma fundação de câncer de mama da Nova Zelândia fizesse o mesmo. O problema, no entanto, é que mostrar os seios antes das 20h30 na TV não é permitido no país. Por isso, mulheres usaram elementos nada sexuais, mas que fazem alusão às mamas, para cobrir a região e seguir o estilo da campanha britânica.

Na Inglaterra, outra ação escancara, justamente, as consequências do tratamento. O objetivo da instituição que promoveu foi manifestar apoio às vítimas da doença, contando histórias reais de quem teve que retirar um seio. É emocionante.

Os floreios são dispensáveis para que uma comunicação efetiva faça sentido para a sua audiência, mostrando que sua preocupação vai além de pintar o mundo de cor de rosa.

Como criar campanhas para o Dia das Crianças

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Assunto delicado e alvo de muitas discussões, a publicidade infantil precisa ser amplamente analisada e repensada para que seus efeitos sejam mais conscientes e menos impositivos. Nos últimos anos, a publicidade infantil recebeu uma série de restrições. Levando em conta a esfera legal, muitas normas estão presentes na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente, no Código de Defesa do Consumidor, na resolução no 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), assim como no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). Para o Dia das Crianças, portanto, consulte esses órgãos antes de criar qualquer campanha com crianças ou destinada a elas.

Vamos falar um pouco sobre a resolução no 163 do CONANDA. Recentemente, ficou proibida publicidade abusiva e comunicação mercadológica dirigida a crianças (até 12 anos, conforme Art. 2o do ECA), com uso de linguagem infantil, de pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil, de personagens ou apresentadores infantis, dentre outras. Portanto: qualquer propaganda que tente persuadi-la ao consumo de qualquer produto ou serviço éconsiderada abusiva.

Diante disso, o público adulto deve ser o seu alvo se a opção da estratégia de marketing for a publicidade tradicional. Cabe aos pais, principalmente, o poder de decisão de consumo das crianças e também ser o mediador da mensagem comercial aos pequenos.

No entanto, sua marca pode ser um agente educador e auxiliar as crianças em diversas questões que fujam da já óbvia venda direta de produtos. Estamos presenciando uma transformação social e as marcas podem ser agentes dessa mudança, especialmente no trato com os pequenos, que serão os protagonistas dessa nova sociedade que estamos buscando. Educação somada a storytelling é a fórmula perfeita para ser “consumida” pelas crianças.

Um exemplo: existe um forte movimento de alimentação saudável para crianças. Algumas vertentes envolvem a negação ao consumo de doces até os três anos e o banimento dosrefrigerantes, assim como de alimentos com sódio e industrializados. Apenas com esses exemplos já conseguimos enquadrar diversas marcas que vendem esses alimentos, justamente, para crianças. Nesse contexto, é possível que a estratégia venha a contar histórias lúdicas que discutam os hábitos saudáveis, o consumo dosado de alimentos com esses ingredientes e as consequências do consumo em excesso. Tarefa fácil? De forma alguma. Mas é um movimento inevitável. A rede de fast food Chipotle tem feito conteúdo voltado a crianças para falar de alimentação saudável, nos EUA. Após um bem-sucedido game de celular, no ano passado ela lançou uma série infantil de TV chamada RAD Lands, que fala sobre a origem dos alimentos, usando animação misturada a atores em cenários lúdicos.

Se você não tem uma marca de alimentos, analise qual mensagem educativa a sua marca poderia passar aos pequenos, que você tenha gabarito para falar sobre. Exemplos: um banco pode ensinar finanças, um plano de saúde pode ensinar primeiros-socorros, uma empresa de tecnologia pode falar sobre reciclagem, uma marca de cosmética pode ensinar sobre a beleza interior. Veja que a oportunidade não é apenas para os setores óbvios da indústria infantil, mas também para as marcas que miram nos consumidores do futuro.

Para uma sociedade mais saudável em todos os âmbitos, o consumo precisa estar sob controle e a consciência sobre isso é formada desde cedo. Contribua com o futuro, seja presente na vida das crianças e conquiste a confiança dos seus pais. Você será lembrado e construirá uma relação fiel e sólida desde bem cedo.

Não à educação formal

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A temática da desescolarização, essencial para as discussões não só sobre educação, mas também sobre liberdade, formação individual e valores sociais, ganha um precioso espectro pessoal e subjetivo quando ilustrado pela história de Déborah e seu filho Cauê “Batata”, no mini doc Contra a Maré (2017), dirigido por André Castilho e André Chitas. Lançado pelo selo La Madre Docs e produzido pela La Casa de La Madre em parceria com o portal Hypeness, o filme foi recentemente citado na matéria “Não à educação formal”, de Fernanda Montano, para a revista Crescer. Confira abaixo o texto na íntegra:

NEM NA ESTRADA, NEM EM CASA. O MOVIMENTO DE DESESCOLARIZAÇÃO PREGA UM ENSINO SEM AGENDA OU CONTEÚDO PRÉ-DETERMINADO. VEJA OS PRÓS E OS CONTRAS DESSA FILOSOFIA.

E se esse período fora da escola, aprendendo com a vida na prática, sem seguir qualquer rotina de estudo, fosse para sempre? Isso já acontece em diversas famílias, adeptas do movimento unschooling ou desescolarização. A prática vem crescendo em todo o planeta. E ainda que a Constituição Brasileira obrigue os pais de crianças de 4 a 17 anos a matricular seus filhos na escola, tem despertado a curiosidade de muita gente por aqui também – como a plataforma Hypeness, que criou recentemente um canal exclusivo sobre o assunto. “O mundo está passando por mudanças, mas uma coisa tão importante como o modelo de educação ainda usa os mesmos métodos. E o pior, esperando que os resultados sejam diferentes”, afirma Rafael Rosa, diretor do Hypeness.

Documentários sobre o assunto também começam a pipocar por aqui, como o Contra a Maré, dos diretores André Castilho e André Chitas. “Mudando o modelo da escola, você muda a sociedade como um todo. Estudei em escola tradicional e isso me causou revolta, quando me tornei cineasta jurei que ia fazer algo”, diz Castilho. O filme mostra a história da fotógrafa e educadora Déborah, 43 anos, mãe de Cauê, 10, fora da escola desde os 7. No começo, ela tinha medo de não dar conta do recado, mas isso mudou. “Sosseguei com o decorrer dos meses. Percebi o quanto é rica a nossa vivência, já que uma simples ida ao mercado envolve muito conteúdo, diz Déborah, que vive com o filho em Ubatuba (SP). Mas e o convívio com outras crianças, como fica? A socialização é uma das principais críticas em relação à desescolarização. No entanto, segundo as famílias adeptas do movimento, as relações que os filhos têm são até mais ricas e diversas. “Na escola, há divisão etária e a classe social é basicamente a mesma. Bento tem amigos, vizinhos, e conversa com todo tipo de pessoa em qualquer lugar que a gente vá”, diz o músico e ator Willian Germano, pai de Bento, 5, que nunca foi à escola.

Por outro lado, muito se fala se o conceito libertador do unschooling não seria, na verdade, limitador. “Será que temos o direito de colocar nas costas dos nossos filhos o peso de um projeto que é nosso? Pode ser que ele não se adapte e aí terá menos oportunidades”, questiona a professora Tania Zagury, autora de diversos livros de educação, entre eles o recente Pensando Educação com os Pés no Chão (Editora Rocco). Mas há quem defenda que o unschooling consiste justamente em deixar que a própria criança decida seu caminho. “É uma via de abertura, não de fechamento. A criança vai ter mais tempo para investir a energia no que realmente a interessa”, diz a filósofa Carla Ferro, de São Paulo.

Isso nos leva a outra questão: será que em vez de criticar o sistema escolar não é melhor lutar para que ele mude? Ou, ao menos, buscar práticas educacionais mais efetivas? “Sim, o ensino convencional tem falhas. Mas, quando me perguntam, em relação à educação, se há luz no fim do túnel, respondo que vejo inúmeros holofotes no caminho”, diz o educador Gabriel Salomão, autor do site Lar Montessori. “É preciso começar a caminhar por ele para enxergá-los. Há cada vez mais escolas fazendo diferente e é isso que devemos buscar”, complementa.

Dia dos Pais: Como aproveitar a data para produzir conteúdo relevante

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O segundo domingo de agosto é marcado pela comemoração do Dia dos Pais. A importância da figura paterna no desenvolvimento e educação das crianças é inquestionável, mas o que amplia as possibilidades de atuação da sua marca para a data é a presença de homens que desenvolvem esse papel mesmo não sendo pais biológicos.

Partindo desse ponto, temos aqui a oportunidade de ampliar (e muito) as histórias e abordagens em torno da data. A diversidade de personagens se apresenta como um presente para os storytellers que desejam sair da zona de conforto e fincar a bandeira da criatividade nessa relação pai e filhos.

Vamos começar pelo tradicional. Pais biológicos na companhia dos filhos são capazes de contar histórias inesquecíveis. Lembre-se que, assim como no Dia das Mães, são os filhos que compram os presentes. Essa relação, inclusive, envolve diferentes sentimentos.

É complexo definir as relações paternas, mas talvez uma certa frieza possa determinar muitas delas por aí. Ao mesmo tempo, relações de muita dedicação e amor colorem as configurações familiares. Que tal usar um tom inspiracional para comover pais e filhos por aí? Pense que há sempre o que melhorar nos relacionamentos e muitos podem precisar de um “empurrãozinho” para se reaproximar, por exemplo.

A tradição, aquilo que o pai faz e que acaba sendo feito pelos filhos também é outra boa inspiração. No ano passado, o La Madre Docs, selo de documentários da La Casa de La Madre,contou a história de Francisco Fazio, dono de uma relojoaria em São Paulo fundada por seu pai. Ao falar sobre o conserto de relógio, o protagonista faz uma analogia com o tempo e a importância de aproveitá-lo no presente. No final, ele agradece ao pai e diz sentir saudades. “O Homem do Tempo“É uma história simples, mas cheia de simbolismos e conectivos que dão à paternidade significados capazes de fazer muita gente se identificar.

Um ponto importante a considerar é que como resultado de uma sociedade machista, o filho homem já é colocado como o mais desejado e parceiro do pai. Esqueça isso! As filhas também têm boas relações com seus pais e são parceiras para qualquer atividade. No lançamento da marca Livelo, um dos filmes que produzimos apresentava no roteiro a história de um pai ensinando o filho a surfar. Apresentamos opções de meninas no teste de VT e tanto a agência quanto o cliente toparam a troca. O filme ficou lindo e uma mensagem de igualdade de gênero foi passada, mostrando que garotas também podem surfar. Legal, né?

Aproveite a oportunidade para desconstruir estereótipos e mostrar que não existem barreiras para essa relação. Uma filha que ajuda o pai no trabalho, seja na agricultura, oficina mecânica ou engenharia não só abre espaço para a presença nas mulheres em profissões socialmente estabelecidas pelos homens como dispensa a ideia de que é preciso ter um filho para ter um herdeiro ou parceiro nos negócios de família.

Os padrastos também desempenham papéis importantes na vida dos enteados. Muitos passam a fazer parte da vida das crianças de forma intensa e ajudam na criação e educação. Outros podem chegar até mesmo na vida adulta e ocupar um espaço especial mesmo que as pessoas não tenham perdido o pai biológico ou ainda se relacionem com ele.

Brigas, desencontros, abandonos ou até mesmo a morte podem separar pais e filhos. Mensagens sobre perdão, esperança, saudade e união sempre são certeiras e tocam o público de certa forma. Pode ser nesse contexto que os pais de criação se apresentam, aparecendo avós, tios, padrinhos, primos ou irmãos.

Outra abordagem interessante é pensar no filho que também é pai. Essa transferência de amor entre as gerações e as tradições que conectam a educação de todos podem render boas histórias. Uma brincadeira que o pai fazia com o filho há 30 anos pode ser uma brincadeira que ele faz com o seu filho ou filha hoje. Ou ainda: imagine os três revisitando um local especial para a família? A reconstrução dessas cenas é um bom cenário.

Por fim, aproxime o seu público das responsabilidades paternas e da importância dessa figura na vida dos filhos. As funções e tarefas domésticas devem ser compartilhadas de forma igual com as mães e trazer isso com naturalidade não só diminui a desigualdade de gêneros, como ajuda na libertação dos homens para mergulhar de cabeça na paternidade e na educação de seus filhos sem se preocupar com antigos estereótipos.

No ar: La Madre Talks

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A La Casa de la Madre estreia o “La Madre Talks”, um talk show com profissionais de primeira linha do mercado da comunicação. No episódio de estreia, o CEO e roteirista da produtora, André Castilho, conversa com a líder criativa do Facebook para América Latina e colaboradora do projeto +GRLS, Renata Decoussau. A conversa entra em temas de impacto do setor, como a participação feminina nos cargos de liderança e nos departamentos de criação, além da tendência do empreendedorismo que coloca o propósito à frente do lucro.

Para as próximas edições do programa quinzenal, estão confirmadas as presenças de Wilson Mateos (VP de criação da Leo Burnett), Rodrigo Noventa (diretor de criação da VICE) e Wladimir Winter (head de branded content da FOX).

Assista ao primeiro episódio:

5 dicas para criar histórias relevantes na Copa do Mundo

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A Copa do Mundo 2018 começa oficialmente no dia 14 de junho, mas já está no topo dos assuntos favoritos dos brasileiros nas redes sociais. Para os patrocinadores oficiais, este é o momento de brilhar nas produções. Para as marcas que vão apenas torcer do lado de fora, é hora de pensar em como se beneficiar do evento contando histórias relevantes (sem arrumar encrenca com a Fifa).

É assim que o storytelling pode te propor uma jogada perfeita com um tema tão relevante para o brasileiro. O futebol em si gera cenas e contextos óbvios, mas tente olhar mais a fundo para os significados intrínsecos à competição e você encontrará muitas oportunidades de histórias.

Compartilhamos aqui algumas dicas para que você comece hoje a pensar em como sua marca pode aproveitar a Copa do Mundo 2018 fora dos gramados:

1)    FUJA DOS TEMAS ÓBVIOS

Histórias que envolvem personalidades em evidência, como Neymar e Tite, já são conhecidas por muitas pessoas e provavelmente serão usadas pelos patrocinadores oficiais. Se você é um deles, explore ao máximo os nomes que estão em evidência.

Mas se esse não for o seu caso, que tal novas perspectivas que envolvam o tema futebol? O esporte é capaz de ativar inúmeros benefícios para quem o pratica. O sonho de um menino ou uma menina em jogar futebol, os desafios para treinar e conciliar isso com a escola, o papel dos pais para ajudar os filhos a atingir um objetivo, não só geram imagens lindas, diálogos emocionantes, como podem conectar a sua marca com milhares de espectadores que, se não possuem o mesmo sonho, se solidarizam com aqueles que o tem.

Quantas vezes você já ouviu alguém dizer: “cada dia um 7×1 diferente”? Parece que a fatídica derrota do Brasil para a Alemanha durante a Copa 2014 traumatizou ao ponto de ter virado expressão popular para os momentos de fracasso. Esse tema pode conduzir boas histórias também. Afinal, quem nunca se arriscou, errou, se reergueu e venceu, mesmo depois de quatro anos? A vida é assim e sua audiência também. Por isso, explore os temas de superação.

2)    DIVERSIFIQUE AS HISTÓRIAS

A superação é um direcionamento interessante para uma narrativa. Se existe o esforço de uma menina para se tornar jogadora de futebol, mas a grana é curta para treinar, falta apoio para o futebol feminino e ela enfrenta resistência por gostar de um esporte popular entre os homens, o envolvimento com a audiência pode ser certeiro.

Pessoas desafiadas pelo pessimismo de outras também geram bons enredos. Você se lembra da participação da judoca Rafaela Silva durante os Jogos Olímpicos 2016? Ela é um dos bons exemplos de storytelling. Na Olimpíada de Londres 2012, a tentativa de um golpe irregular a eliminou dos jogos e quase acabou com a sua carreira. Depois de sofrer muitos comentários racistas e críticas que abalaram sua autoestima, ela se reergueu e, quatro anos depois, conquistou a medalha de Ouro, fazendo o Brasil todo vibrar e se emocionar. A perfeita jornada do herói.

 

3)    SEU PERSONAGEM PODE ESTAR DENTRO DA SUA EMPRESA

Olhe ao redor e envolva seus colaboradores nas histórias que você deseja contar. Já pensou naquele colaborador antigo, que já trabalhava com você quando o Brasil foi campeão em 1994? Pode haver uma colaboradora que teve bebê depois de 2002 e ainda não celebrou um título ao lado do filho. Ou ainda aquela funcionária que é fã do campeonato e coleciona itens temáticos.

E por falar em empresa, fique atento para que a sua mensagem não seja diferente do que realmente acontece internamente. Afinal, de nada adianta você estimular que sua audiência desfrute da Copa do Mundo se os colaboradores não terão como assistir aos jogos do Brasil porque estarão trabalhando. Alinhe os discursos para que, em tempos de redes sociais, sua campanha não se torne um “7×1”. 

 

4)    A REGRA É CLARA

A Fifa tem um Programa de Proteção às Marcas (PPM) com regras sobre o uso de suas marcas. Por isso, palavras, símbolos, títulos e outros elementos relativos à Copa do Mundo da Fifa são registrados em diversos órgãos de propriedade intelectual. O PPM determina que apenas os patrocinadores possam usar termos como Fifa, Fifa World Cup, Copa do Mundo, Copa 2018 e Rússia 2018, por exemplo. Fique atento para não ter problemas depois. Aqui você tem acesso às diretrizes para o uso das marcas oficiais da Fifa para esta edição.

 

5)    QUAL O ENVOLVIMENTO SUA AUDIÊNCIA COM A COPA DO MUNDO?

De nada adianta budgets gordos para campanhas magníficas se você ainda não entendeu qual a relação da sua audiência com a Copa do Mundo. As pessoas podem usar as lições de um campeonato mundial de diversas maneiras e, por isso, observe o quanto o seu público está conectado com cada tema.

Algumas mães podem não estar tão interessadas na força tática do time de Tite, mas podem estar conectadas ao quanto a prática de um esporte pode fazer seus filhos serem mais focados na escola. Determinadas meninas podem não se identificar tanto com os jogos em si por só haver homens em campo, mas sim com os encontros que fazem com as amigas para aquela “pelada” semanal.

Invista em pesquisas e conversas dentro dos seus próprios canais para identificar qual a real intenção e objetivo em acompanhar a Copa. Não fique de fora do tema, mas seja preciso. Afinal, “audience is king, content is slave”.

SE VOCÊ ESTÁ PASSANDO PELO DESAFIO DE CRIAR CONTEÚDO DE MARCA RELEVANTE E ORIGINAL PARA ESTA COPA DO MUNDO, VOCÊ PODE COMPARTILHAR SUA EXPERIÊNCIA AQUI NOS COMENTÁRIOS OU NOS CONTRATAR PARA TE AJUDAR A FAZER UM FILME INESQUECÍVEL 😉

“Muita gente tem potencial, só não sabe disso”

By | La Casa de la Madre

Em entrevista à Infame, o diretor e CEO da La Casa de La Madre, Jorge Brivilati, falou sobre superação, descoberta de potencialidades e trabalho duro. Confira na íntegra:

“Hoje trazemos a história de Jorge Brivilati, diretor de filmes e sócio de uma produtora considerada referência em São Paulo, a La Casa de La Madre. O interessante sobre Jorge é que ele fala sobre a sua trajetória usando aquilo que ele sabe fazer de melhor: o storytelling.

O argumento dessa história é mais ou menos assim: nascido e criado na Vila Ipiranga, uma das favelas mais violentas de Niterói, um menino cheio de sonhos ia quebrando as barreiras e estereótipos que o cercavam durante a infância até ganhar o mundo, chegando inclusive a Hollywood.

Parece ficção, mas é realidade. Convivendo em um ambiente hostil e bastante desfavorável, ele relembra que já perdeu vários amigos ao longo dos anos. “É muito difícil para alguém que está inserido nesse meio enxergar que existem outras oportunidades caso ela tenha o desejo de sair de lá. Quando eu tinha 12 anos vi que a maioria esperava a situação melhorar, mas ninguém fazia nada para conseguir isso. Eu estou dizendo: todo mundo pode melhorar a sua situação de vida, basta querer, batalhar muito e estudar. As pessoas precisam de exemplos a seguir. Tem muita gente com potencial e que nem sabe disso.”, afirmou em uma entrevista.

Jorge largou uma carreira bem sucedida em grandes agências de publicidade para abrir a sua produtora e, assim, criar um projeto com o qual sonhava muito: o uso do storytelling no mercado de comerciais. Assim surgiu o cine-comercial (fazer comercial para marcas com qualidade e produção de cinema). Hoje, diretor de filmes, é considerado uma referência, tendo sido eleito pelo Meio&Mensagem um dos dez diretores mais influentes do Brasil no segmento em que atua, além de ter sido, recentemente, finalista do LA Shorts Film Festival, em Hollywood, festival de curtas-metragens que pré-seleciona concorrentes ao Oscar na categoria, com o filme “Reencontro”. Também ganhou um Grand Clio de Entretenimento, um dos mais importantes festivais de comunicação criativa, leões de ouro em Cannes, dentre outros reconhecimentos, e foi responsável por campanhas para grandes marcas como LATAM, Nestlé, Nívea, Samsung, SKY e se prepara para lançar o primeiro longa de sua produtora, filmado em Mumbai e Varanasi, na Índia.

Aqui você pode conferir um pedaço da entrevista que o Infame fez com Jorge, onde ele conta um pouco da sua história:

Nos conte um pouco sobre a sua infância. Onde morava, como era esse lugar, as boas lembranças e as dificuldades.

Eu nasci em Niterói, mais precisamente na favela da Vila Ipiranga, uma das mais perigosas da região. Filho de pais separados desde os 3 anos, mas nem por um minuto me sentindo distante do meu pai. Ele morava no andar de baixo de um sobrado onde vivíamos eu e minha mãe. No primeiro andar ficacam meus avós paternos. Passei grande parte da infância ali, se não me engano até os 10 anos. Tive uma criação baseada em princípios bíblicos, uma vez que minha mãe é Testemunha de Jeová. No final, fui educado pelos dois, pois ambos estavam compartilhando a minha guarda.

Hoje, muita gente me pergunta se era perigoso morar na favela. Me vem uma dualidade, porque na época eu vivia com algumas regras básicas sobre como sobreviver lá. Coisas como: “na favela você não vê nada, não ouve nada, não sabe de nada” – dizia minha mãe. Ou ainda: “favela vazia é sinal de perigo” – se não tem criança brincando, vizinho brigando, laje sendo batida, então é porque tem algo errado. “Entra logo pra casa porque vai começar o tiroteio”. Mas, ao mesmo tempo, me sentia seguro também. Por ter nascido no local e conhecer a comunidade inteira, sentia uma [falsa] proteção lá dentro – a ameaça era quando a polícia invadia (não parece ter mudado nada).

Quais eram os obstáculos que você enfrentava naquela época e o que te movia a superá-los? Ouvia muito sobre trabalho ser apenas sobre sustento?

Tudo o que eu queria ia de encontro ao que minha mãe e a religião me ofereciam: uma vida simples, com um trabalho que apenas bancasse o necessário para ter uma vida voltada a Deus e que virasse um “pregador da palavra”. Lembro de uma discussão importante com minha mãe, quando ela tentava me persuadir a não fazer faculdade, terminar apenas o 2º grau. Eu respondi, impulsivamente, naquele dia que não queria passar minha vida como um técnico em uma lojinha consertando televisão, reclamando do presente, renegando o passado, com uma incerteza do futuro, esperando a hora mágica de ganhar na loteria e sair daquela vida.

O que você queria ser quando criança? Como você enxergava a possibilidade concretizar isso (sonho vs realidade)?

Se hoje eu não sei jogar futebol, é porque passava mais tempo em casa abrindo o rádio-relógio no intuito [em vão] de fazer meu nome aparecer no aparelho, ou estudando em um laboratório químico que eu havia montado com a ajuda do meu pai, em casa. Nunca tive videogame, então passava horas ali, produzindo hidrogênio e oxigênio das mais diversas formas possíveis, coletando células de tudo que era espécime para observar no microscópio. Saudade.

Eu realmente queria ser um cientista e estudava para isso. Lia livros que demorariam cinco, seis, sete anos para eu estudar na escola ou na faculdade. Eu me empenhava para isso. Comecei a estudar eletrônica aos 11 anos, por correspondência, para ver se eu finalmente conseguiria colocar meu nome no rádio-relógio (risos). Eu nunca vi o ambiente e tudo que me cercava como um limitador ou um dificultador para conseguir o que eu queria. Nem por um segundo, pensamentos duvidosos sobre não conquistar o que eu queria passavam na minha cabeça. A vontade de ser cientista durou até o segundo grau, quando fazia o curso técnico em eletrônica. Não porque eu pensava em ir para engenharia eletrônica ou algo do tipo, mas porque, aos 15 anos, eu fui apresentado ao HTML e, consequentemente, ao design. Nessa idade, eu já tinha certeza que eu era bom em alguma coisa e queria fazer aquilo para sempre. Minha vida mudou daí em diante, porque meu único objetivo era virar um designer foda. Eu acordava e dormia estudando design, fazendo cursos por correspondência, criando layouts imaginários e refazendo anúncios e sites de todo o tipo.

Quais as principais oportunidades que foram aparecendo ao longo da sua vida e como você as aproveitou?

Logo que comecei a estudar HTML em casa, surpreendentemente fui “vítima” de uma técnica bem simples de telemarketing: me ligaram em um sábado, dizendo que uma prima, que nunca souberam dizer qual, havia me indicado e eu tinha ganhado um curso de Photoshop grátis. Lá fui eu e, de fato, durante quinze dias aprendi o básico do programa, sem desembolsar um centavo. Até porque eu entrava de graça no ônibus com o uniforme da escola. Ao fim da quinzena, fui apresentado ao curso completo de um ano, onde aprenderia diversos softwares relacionados. Era um curso caro para pagarmos, mas ao ver o brilho nos meus olhos, como a coisa que eu mais queria em toda a vida, minha mãe disse um solene: se você quer muito, eu pago. E aí, tudo mudou. Uns nove ou dez meses depois de iniciar o curso, comecei a dar aula, porque sentia que faltavam algumas coisas a serem ensinadas. Apresentei a ideia ao diretor geral e ele me disse que, se eu conseguisse juntar uma turma de, no mínimo, treze pessoas, eu poderia. E, aos 16 anos, dei aula pela primeira vez, enquanto matava as aulas do ensino médio algumas vezes, o que me levou a repetir o segundo ano.

Conte um pouco da sua trajetória: educação em casa, estudos, referências importantes, cursos e trabalhos pelos quais passou.

Minha formação é bem prática, sem muita teoria. Eu sempre fui autodidata e um eterno curioso. Estudava bastante o que me interessava, trazia livros da biblioteca, cursos online e, o mais importante, praticava bastante o design. Aprendi muito nas agências de publicidade e lugares que trabalhei. Aos 17 anos, fui trabalhar em uma editora; aos 18, em uma agência de publicidade grande no Rio. Eu tinha o talento, só não tinha profissionalismo, dizia um chefe enquanto me demitia. Ele tinha a plena certeza de que eu teria isso logo, mas não podia esperar e me nem ensinar naquela época. Aprendi muito com algumas demissões (na verdade, duas) porque eu realmente analisava o que estava fazendo de errado. Desde que me entendo por gente, pensava que, na hora de tomar um pé na bunda, tudo mudaria se eu estivesse olhando para cima. Caso contrário, o chão seria o destino e eu nunca voaria longe como um foguete. Eu realmente pensava assim.

Quais pessoas tiveram um papel importante na sua evolução?

Meu pai e minha mãe. Pessoas que encontrei ao longo da minha vida, que tiveram paciência de me ensinar e me acolher, principalmente quando cheguei em São Paulo, aos 19 anos, sem família. Indiretamente, as queixas sobre a vida e sobre o dinheiro, que ouvia ao meu redor quando morava na Vila Ipiranga, também me motivaram muito, porque eu sempre repetia para mim mesmo: o que essas pessoas estão fazendo para mudar suas próprias vidas? Estão apenas sentadas esperando algo acontecer? Para sempre?

Você achou que ia chegar onde está hoje?

Nunca me imaginei como diretor de cinema na infância e adolescência. Ao mesmo tempo, eu nunca me imaginei com um teto, um limite. Também nunca me preocupei em “chegar” em algum lugar. Me preocupava em fazer, apenas. Adotei o lema de um livro que moldou meu modo de enxergar o futuro: “não é o quão bom você é, mas o quão bom você quer ser”. Isso é transitivo, é para sempre, constante. Não faço a menor idéia de onde vou chegar, só do que eu quero fazer.

Você contou em uma entrevista que fotografava desde os 7 anos de idade. Quem te deu a sua primeira câmera e o que você gostava de fotografar mais?

A gente tinha uma câmera de filme bem simplesinha em casa. Era a câmera para fotografar os eventos familiares, passeios etc. Mas, no meu aniversário ela vinha para as minhas mãos, junto com um filme de 24 ou 36 poses. Lembro de tomar um safanão da minha mãe, pois eu “estava gastando filme tirando foto de vizinho e da favela inteira”. Eu gostava de retratos.

Você também comentou uma vez que, ao fotografar, você olhava para onde as pessoas não estavam olhando. O que quis dizer com isso?

Quando olhamos para um determinado assunto, nossos olhos são condicionados a ver muitas vezes a forma como um todo, uma gestalt do objeto, digamos. Conhecemos bem alguma coisa quando olhamos de perto, vemos detalhes. Se observamos um muro muito grande de longe, vemos toda sua extensão, mas não vemos seus detalhes, que podem dizer muito sobre ele. Perto demais, não enxergamos sua dimensão, então é necessário esse puxa-empurra com o olho para entender o todo. No dia a dia, adjetivamos ou estereotipamos. Na fotografia, se fizermos isso, somos fotógrafos medíocres, satisfeitos com pouco. É como uma língua. Aprendemos uma estrutura, mas para dominar, precisamos conhecer palavras, etimologias, construções e ir a fundo nos detalhes. É como o universo microscópico. Tem muita beleza e muito pode ser dito através dos detalhes.

Muitos dizem que a publicidade e os publicitários tiveram a sua época áurea, mas que agora ambos sofrem uma crise de identidade, inclusive com muitos profissionais saindo desse mercado para trilhar outros caminhos. Você concorda com isso? Se sim, qual sua visão sobre essa “crise”?

Eu ouvi de um diretor de criação, quando trabalhava na W/Mccan: “a festa da publicidade acabou. O bolo já foi repartido”. Eu respondi: “então, eu estou bebendo o copinho de Coca quente que sobrou em cima da mesa”. Para mim, as pessoas simplesmente acordaram para ver que o trabalho não é a vida delas, e a vida delas não é o trabalho. E que não valem leões em cima da estante da firma, se você não consegue nem ver seu filho ou confirmar um jantar ou cinema com sua namorada, em pleno sábado à noite.

Conte sobre a La Casa de la Madre. Como surgiu, sua proposta inicial e o que ela representa hoje?

Ela representa coragem, mudança. Eu trabalhava na Young&Rubicam e, quando sai, convidei o meu dupla, Castilho e sugeri: “Fifty/Fifty? Casa de La Madre. Bora?” E ele prontamente disse sim! E essa vontade nasceu do desejo de fazer do meu jeito, do nosso jeito, e isso nos move constantemente a mudar sem medo. Nossa idéia era fazer diferente. O maior medo não era não dar certo, nem o financeiro. O maior medo era de deixar de criar todo dia, como fomos treinados a vida toda. Pensamos: ““E se” apenas recebermos os roteiros?! Precisamos criar nossos roteiros e filmar nossas idéias”. Oferecer Storytelling era exatamente o que precisávamos, uma vez que ninguém havia levantado essa bandeira. Abrimos as portas com um retumbante: STORYTELLING ao invés de FILMES, como todos faziam.

Quando você fala sobre o storytelling como um diferencial, como isso acontece na prática?

Narrativas envolventes. Histórias que fazem refletir com um propósito, mesmo que seja vender uma fralda ou um celular. Ninguém tem 30 segundos (eternos no pre-roll do youtube), mas todos temos vinte, trinta minutos, duas horas para ouvir uma boa história. Quando publicidade se apropria do conteúdo [bom], a mágica acontece. No entanto, não ficamos apenas no campo da publicidade. Hoje estamos reforçando a área de conteúdo, trabalhando em série diretamente com os canais.

Vocês falam no site de vocês que criam histórias que conversam com o coração e a alma da audiência. Como isso está sempre presente no processo criativo? Como, muitas vezes, isso se contrapõe ao objetivo de “vender” do cliente? Como dosar essas duas coisas?

Isso se dá quando você tem ou está em busca da sua verdade. Nenhum trabalho tem alma, se você não coloca a sua verdade nele. Fazemos isso em todos os filmes que tenham corpo para isso, que estejam procurando uma alma para hospedar.

Sabemos que existem inúmeras marcas e organizações querendo se apropriar de causas mais humanas e transformadoras, mas nem sempre elas conseguem utilizar um discurso verdadeiro em sua comunicação. O que elas podem fazer para que isso aconteça ?

Enxergar pessoas, não consumidores. Enxergar pessoas, não personas. Enxergar pessoas, não números. Simples.

Existe algum trabalho autoral seu (para marcas ou não) que te dê orgulho e que transmita a sua essência e seu modo de ver o mundo?

O filme que fiz para a Huggies, que conta a história da Tatiana, uma jovem mãe cega que vai fazer seu primeiro ultrassom. Tem muita verdade e poesia, principalmente nos detalhes, tem o “olhar para onde não estão olhando”, que é algo muito meu. E, claro, meu primeiro longa, que filmei na Índia (em pós-produção), que fala sobre mudança de vida. Em breve, nos cinemas.

Quando você olha pra trás e vê todo o percurso pelo qual passou, o que você pensa e como você se sente?

Olha, eu me sinto muito abençoado, em resumo. Eu fui creditado nessa vida com um dom, com um talento e tenho consciência disso, sem modéstia alguma. Eu tento aproveitar ao máximo o caminho que me foi apresentado. Sinto que gastei tempo demais, nos últimos anos, com lazer. Não vou entrar tanto em detalhes, mas tenho uma sensação constante que me acompanha de que poderia estar fazendo mais. Eu sou grato. Muito grato.

Se pudesse dar um conselho para um jovem, que também tenha vindo de uma realidade de periferia (onde a busca pelo sustento acaba, muitas vezes, se sobrepondo à busca pela vocação no trabalho), o que você falaria para ele?

Estude. Estude o que te dá prazer, mas também faça o que te dá prazer. Teoria sem prática é morta. Eu não fiz faculdade, mal terminei o segundo grau, mas nunca deixei que isso fosse um impedimento para eu fazer o que eu queria. Ouvir menos o que está ao redor e mais o que está dentro de você é a chave.

Qual filme/trabalho seu que seja emblemático para você e que represente muito essa evolução pela qual você passou.

É meu curta chamado LIA, que também é um videoclipe. Ele é importante para mim porque foi o primeiro trabalho que escrevi e dirigi e, ainda por cima, em outro país (Portugal). Eu consegui exacerbar minha linguagem e todo meu modo de ver o mundo. Ele fala muito sobre mim.