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André Castilho

Você é invisível na sua empresa?

By | André Castilho, RH, storytelling

Por André Castilho (artigo publicado originalmente na revista RH Pra Você)

O valor de uma pessoa pode ser medido pelas histórias que ela carrega em sua biografia. Mas como ter o nosso valor percebido dentro de uma empresa, quando não existe a oportunidade de compartilharmos nossas melhores histórias? Seja por nos sentirmos diminuídos dentro da hierarquia, por não nos vermos como protagonistas de nenhuma epopeia, ou simplesmente por não sermos encorajados, acabamos por guardá-las em um baú empoeirado, misturadas a outras coisas sem valor. E assim, vamos nos acostumando a seguir o script que nos é dado, sem que ninguém saiba quem somos, passando invisíveis aos olhos dos nossos colegas e superiores.

Um exemplo da transformação que as histórias causam em um grupo é quando chegamos no aniversário de um amigo e somos apresentados à roda de convidados. No começo, todos aqueles rostos parecem iguais e até intimidadores. Os nomes fogem da memória antes mesmo de desapertar o aperto de mão. É desconfortável se manter na roda, porque ninguém tem a menor afinidade com você – e nem você com alguém. Dói perceber que toda a sua existência e construção de identidade de décadas são insignificantes para aquele grupo, e o seu único amigo ali é o copo de bebida. Até que alguém resolve quebrar o gelo e vem puxar assunto: “de onde você conhece o Fulano?”, “e você faz o que da vida?”, “ah, que legal, você também pratica yoga! Ashtanga ou Hatha?”. E então, como num passe de mágicas, antes mesmo que o drink esvazie, vocês passam a existir uns para os outros. “Qual o seu nome mesmo?”. Dessa vez o cérebro guarda. “Me adiciona no Instagram”, “pega o meu Whatsapp”. Por que isso aconteceu tão rápido? Porque ambos trocaram pequenas histórias que revelam muito de quem vocês são. Com isso, criaram empatia um pelo outro. O que, no ambiente corporativo, é sinônimo de colaboração.

Faça o teste aí, na sua empresa. Olhe ao seu redor, por cima da sua baia. Você sabe o nome de todas as pessoas do seu departamento? Você sabe quem são essas pessoas, para além do papel social que ocupam dentro do escritório? Qual desses crachás esconde a dor de uma perda recente na família? Qual dessas mulheres enfrenta diariamente o escuro e as ruas desertas da periferia para pegar um ônibus às 5h da manhã e botar comida no prato do filho? E você? Alguém já te perguntou sobre a jornada que te trouxe até aqui? Você já contou para algum colega que você gostava de fazer shows de mágica nas festas de família, mas que hoje tem medo de falar em público? E aí, na devolutiva, essa pessoa lhe confessou que sempre quis aprender a dançar, mas que nunca se sentiu capaz? Como seria a relação entre vocês a partir deste dia?

Mas se as histórias de cada um não são muito conhecidas por aí, onde você trabalha, por outro lado, provavelmente todos os departamentos já estão comentando da assistente do diretor que recebeu uma promoção “porque ele gosta de loira” – e nem cogitam que, talvez, ela possa ter subido de cargo pelo seu talento. Ou que o Felipe, da contabilidade, e a Jussara, da limpeza, estão tendo um caso, escondidos. Absurdo! Mas a notícia da semana foi o climão que ficou quando a Juliana, do financeiro, “desfilou” o dia inteiro com a calça manchada de sangue menstrual, porque seu absorvente vazou no meio de uma reunião.

A fofoca é a modalidade de storytelling que reina absoluta no ambiente corporativo. Uma ferramenta inata do ser humano, que pulveriza veneno pelos corredores acarpetados e cria clãs de vikings dentro dos departamentos. Infelizmente, a maioria das empresas experimenta apenas os aspectos negativos do poder das histórias. Mas existe uma solução: cultivar um jardim livre de veneno e ervas daninhas, para que as borboletas possam se aproximar. Ao profissional de RH, cabe a maestral tarefa de incentivar e fornecer todos os recursos para que seus colaboradores aprendam – e se encorajem – a garimpar aquele velho baú esquecido para encontrar suas jóias perdidas. Imagina o impacto positivo que vai acontecer quando você, eu, a pessoa que senta do outro lado do seu monitor, conseguirmos olhar para o outro e enxergarmos um espelho, percebendo que o tempo todo estivemos invisíveis não para o mundo, mas para nós mesmos.

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(Foto por Ben White sob licença gratuita do Unsplash)

Admirável Mundo Novo

By | André Castilho, branded content, marketing, publicidade, storytelling

O ano é 2030. Mark Zuckerberg é julgado pela Corte Internacional de Justiça e condenado à prisão por apropriação indevida da identidade de milhões de usuários, cobrando-lhes royalties para uso da própria imagem. Executivos do Vale do Silício protestam, desativando suas redes sociais por 24 horas, causando um motim tão grande entre a população que o Tribunal é forçado a anular a decisão. Apesar disso, o Facebook já não passa de um cemitério de perfis abandonados e novas redes sociais estão em voga, grande parte delas pertencentes a Zuckerberg.  

Os maiores influencers da atualidade são avatares de inteligências artificiais com interface humana, que criam e distribuem conteúdo autômato e personalizado para a timeline de cada indivíduo, a partir da coleta de big data em tempo real dos hábitos de navegação, conversas privadas, expressões faciais e níveis hormonais de bilhões de usuários, captados pelas câmeras, softwares espiões e sensores instalados em 100% dos dispositivos móveis. A tendência veio para ficar. A Suécia é o primeiro país a legitimar o casamento entre um ser humano e uma inteligência artificial.

O conteúdo criado por humanos ainda resiste. O letreiro de Hollywood é substituído pelo logotipo do Netflix e milhares de plataformas de streaming florescem, cobrindo os mais impensáveis nichos de interesse. Nem todos os canais oriundos da TV conseguem migrar seu público para o streaming, vendendo seu espólio de conteúdos produzidos ao longo de décadas a preço de banana para quitar dívidas com credores. A publicidade interruptiva é proibida em 17 países. No Brasil, a TV a cabo está oficialmente morta e a TV aberta subsiste da locação do horário nobre para igrejas evangélicas. Na programação, reprises patrocinadas por anunciantes de produtos geriátricos, já que este é o único público que ainda consome o formato. A última agência de publicidade sustentada por comissões de mídia fecha as portas. A Globo é vendida ao magnata da mídia Felipe Neto.

As grandes marcas ignoraram todos os sinais de transformação dos últimos anos, e a maior parte delas paga um preço alto pela escolha de continuarem dependentes da base de audiência alheia, contando com a boa vontade dos influencers para produzirem mensagens com alguma relevância a um público emprestado. Para piorar, os poucos publishers que sobraram – e que também locavam sua base de audiência – já não têm alcance suficiente para massificar um conteúdo patrocinado.

Por outro lado, cerca de 10 anos atrás, algumas empresas começaram a investir na criação de conteúdos originais e na construção de uma base sólida de audiência, através de uma plataforma própria de streaming, passando sem grandes problemas pelos blecautes causados pelo esvaziamento em massa de usuários do Facebook e Instagram e do fechamento do YouTube em mercados europeus, após a implementação do Artigo 13, o que atingiu em cheio 90% das empresas, já que esses eram os únicos pontos de contato que elas possuíam com seus consumidores.

Hoje, as marcas que investiram lá atrás em montar seus próprios Netflix, faturam mais com conteúdo e licenciamento do que com a venda dos produtos e serviços que originalmente ofertavam. Algumas delas aderiram a modelos híbridos de negócio, que foram muito bem-sucedidos. Ao invés de oferecerem conteúdo gratuito – o que a longo prazo seria insustentável para muitas -, ou serviço de assinatura – cujo modelo já se vê saturado -, elas atrelaram o acesso à plataforma ao consumo dos seus produtos. A Nike, por exemplo, oferece 1 ano de acesso ao Nikeflix a quem comprar um tênis da linha Air, e 3 meses a quem realizar uma compra de pelo menos R$ 50 em suas lojas. Quem não consome nenhum produto da marca, fica de fora da plataforma. Consumidores que gastam mais de R$ 300 ao mês têm acesso antecipado a séries inéditas, que só estarão disponíveis aos demais usuários 6 meses depois. Clientes com maior pontuação no programa de fidelidade da empresa podem colaborar com os autores das séries em um fórum fechado, sugerindo interferências na trama, votando em enquetes sobre as possibilidades de desfechos, alterando o destino dos personagens e até fazendo uma ponta como figurante em um dos episódios.

Se em 2019, o storytelling parecia desgastado pelo mau uso da expressão por pseudo-gurus do marketing, em 2030, ele está no centro da estratégia de qualquer empresa, provando que a história continua sendo a ferramenta mais poderosa criada pela humanidade. Em tempos de inteligência e relações artificiais, é ela que nos conecta e nos ajuda a resgatar a identidade que nos foi usurpada.

*Esta é uma obra de ficção. Qualquer relação com eventuais acontecimentos futuros é mera coincidência.

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(Foto por Andy Kelly sob licença gratuita do Unsplash)

Empreendedores de final de semana

By | André Castilho, empreendedorismo

Créditos da foto: Stephanie McCabe sob licença do Unsplash

Mais um final de semana. Mais uma chance de começar aquele projeto que vai te libertar da prisão do emprego que você odeia. 

Por André Castilho

Sexta. Happy hour da firma. Sem o chefe. Gravata desapertada, terno pendurado no encosto da cadeira, sachê de ketchup arrastando na batata frita. Os colegas de baia unidos, tomando cerveja, contando vantagem, compartilhando frustrações, vomitando os sapos da semana, contando um segredo sobre uma suposta conversa do presidente na cabine do lado no banheiro que vocês precisam prometer que não vão contar pra ninguém, esbravejando discursos carregados de verdades a serem ditos no RH no dia em que ganharem na mega-sena. Você entra no jogo: ri, abraça, faz piada, fala mal dos outros. Mas você não se sente um deles. Ao contrário desses fracassados sem futuro nem esperança, mergulhados em puro desespero, você está sereno como um monge meditando em uma colina do Himalaia. Porque por trás da interface do amigão boa praça, você guarda um segredo que te separa dos demais mortais do seu departamento. Ao contrário deles, você tem um plano B. Que será botado em prática amanhã. O garçom traz mais uma.

Sábado. Você prometeu a si mesmo acordar bem cedo para finalmente começar a tirar do papel o tal plano: ter um negócio próprio. Não só próprio, como revolucionário. Mas a ressaca de ontem roubou a sua manhã e você tem um almoço marcado há um mês com a família da sua esposa. Enquanto te serve o bacalhau, seu sogro faz perguntas investigativas sobre seu emprego, tentando definir se você é ou não um homem de sucesso. Você toma cuidado para não engasgar com a azeitona. Você ganha uma palestra grátis sobre as responsabilidades de um chefe de família, sobre a importância de se ter estabilidade no emprego, sobre os sacrifícios que devem ser feitos para subir na vida. Seu cunhado desempregado interrompe a conversa para contar sobre a mais nova ideia que teve para ficar rico, mas ninguém dá bola e você sente pena do pobre coitado, porque sabe que ele jamais vai botar em prática nenhuma das ideias que chegam a ser infantis de tão rasas. Por um súbito instante, um gelo toma sua alma e você se enxerga naquele homem. Bobagem. Você tem um emprego. A sua ideia é infinitamente superior. Além do mais, você tem um plano inteiro traçado na sua cabeça.

Domingo. Você acorda disposto e feliz porque, na madrugada anterior, terminou de assistir a última temporada da série que comeu todo o seu tempo nos últimos 4 finais de semana. Finalmente, você está totalmente mindfullness para trazer para o plano da matéria o seu novo negócio. Se você focar todos os finais de semana – tirando o carnaval (porque até Deus é brasileiro), o feriado que você vai aproveitar pra visitar seus parentes (sua avó não vai durar para sempre) e o final de semana emendado com o seu saldo do banco de horas (você achou um pacote imperdível pro Nordeste) – em poucos meses você estará pronto para dar o pulo do gato, pedir as contas daquele emprego miserável e botar todo o seu potencial enquanto ser humano holístico a pleno vapor, sendo dono do seu próprio negócio.

O telefone toca e você pensa duas vezes antes de atender. É o seu amigo de infância te chamando pra almoçar junto com a rapaziada das antigas. Você diz que não pode, porque tem que trabalhar em cima de um projeto, mas ele te chantageia dizendo que você é sempre ocupado para os amigos, que a vida vai passar e você só pensou em trabalho. Você negocia com você mesmo e conclui que tudo bem adiar o seu sonho por algumas horas, que depois você compensa com foco total.

Tem fila de espera no restaurante, mas tudo bem, seus amigos já inauguraram o balde de cerveja na beira da calçada. Você promete que vai beber só um pouco, pra não perder a energia vital produtiva que sentiu ao acordar. Na mesa, todos optam por feijoada, apesar de não ser sábado. Na primeira garfada, a barrinha de energia cai para 30%. Já com a graduação alcoólica satisfatória, você resolve compartilhar a ideia da empresa que vai lançar em breve. A plateia de amigos nem pisca enquanto você conta, com o entusiasmo de um garoto, seu plano de criar uma marca de frutas congeladas in natura. Polpa? Não, não. Manga, banana, carambola, abacaxi, melancia, tirados intactos da natureza, descascados, cortados em nacos, congelados, espetados num palito reflorestado, envelopados numa embalagem descolada com letras coloridas garrafais dizendo “100% fruta e nada mais” e vendidos como se fossem picolés. Você até já tem um nome comercial apelativo: Frutalé. Ou Naturvete, ainda não está totalmente definido. Você esboça o logotipo num guardanapo. Já tinha mais ou menos na sua cabeça. “Genial”, conclui o primeiro amigo. “Ele sempre teve umas ideias diferentes, desde a época da escola”, bem lembra o outro. “Alguém aqui tinha que se dar bem na vida, né?”, diz o terceiro, já vislumbrando o empréstimo que vai te pedir em breve. “Vai revolucionar a indústria de sorvetes e picolés”, profetiza o velho garçom, enquanto pega de volta a caneta para anotar mais uma cerveja. Pronto, agora o seu ego parece um travesseiro da Nasa. Você está confiante e nada pode te parar, porque você tem a aprovação dos caras que você mais considera na vida e que jamais mentiriam para você.

“E aquela máquina de fazer pizza quadrada, não foi pra frente?”, alguém comenta. Aí você lembra que já teve a ideia de vender pizza quadrada. “Eu gostava daquele aplicativo de alugar o wifi para os vizinhos. Esse ia bombar. Unicórnio que chamam essas empresas, né?”. Sua visão fica turva. Você deixa sua parte da conta na mesa e se despede sem dar maiores explicações. Ainda no elevador do prédio, você corre para abrir um perfil no instagram: @frutale. Já existe. @naturvete. Tem 5 seguidores e não postou nada. Você não tem uma terceira opção de nome na manga. Já está anoitecendo. As horas voaram. Você lembra que o horário de verão acabou ontem e pensa que talvez não seja um bom negócio criar uma marca de frutas congeladas em forma de sorvete em pleno outono. Ouvi dizer que vai fazer frio. Você liga a TV. Está começando o show da vida, com o Zeca Camargo te lembrando que o seu tempo de sonhar acabou.

Segunda. Sono. Congestionamento. Esporro do chefe. Reunião sem fim. Café. Fofoca. Relatório na mesa. Call com o cliente. Ainda não é meio-dia e você só pensa no seu plano B. Talvez seja a hora de retomar o projeto da pizza quadrada. Faltam só mais 103 horas para o happy hour de sexta.

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Créditos da foto: Stephanie McCabe sob licença do Unsplash

Bloqueio criativo. E agora?

By | criatividade

Problema é resultado de uma série de fatores que vão do aperto no coração à sensação de ser uma farsa e até mesmo vontade de pular num precipício.

*Artigo publicado originalmente no Meio&Mensagem. Por André Castilho.

Ser criativo não significa que você terá ideias bacanas a todo momento, como um botão que você aciona e pronto, o insight surge magicamente. Criatividade é sim uma qualidade e pode estar no seu DNA, mas o bloqueio criativo é comum e chega sem avisar, sem marcar dia, ou local. Por essa razão o bloqueio criativo é o pesadelo de dez entre dez profissionais do nosso setor. O que devemos fazer quando a fonte de inspiração parece ter chegado ao fim? Em primeiro lugar, é preciso ter calma. Respire fundo, jogue água gelada no rosto e lembre-se que todo ser humano pode sofrer um apagão.

Quando a criatividade some e as ideias não se conectam uma às outras, é preciso parar e pensar no que está sugando suas energias. As causas são variadas e vão desde a busca incessante pelo perfeccionismo, passando pelo medo de não superar as expectativas e até mesmo perda de ânimo, provocado pelo estresse.

Para deixar essa dificuldade momentânea de lado e não ficar com aquela sensação de que ser criativo é um dom para poucos, uma das principais dicas é conversar com alguém. Dê uma volta na rua e puxe assunto com pessoas aleatórias. Se você for tímido, chame um Uber para ir até o mercado e comece um assunto com o motorista, mostrando interesse pela vida dele. Não existe nada melhor do que um bom bate papo para ajudar as ideias começarem a fluir. Ouvir as pessoas ajuda a abrir mais a mente, o que pode contribuir – e muito – para destravar ideias.

Se mesmo assim, nenhuma história surgir, é sinal de que é hora de parar e relaxar. Reserve alguns minutos para você mesmo, caminhe para arejar o pensamento, tome um café na sua caneca do Mickey preferida ou faça alguma coisa que dê prazer. Há os que preferem ouvir música, outros exercitar o corpo e aqueles que recorrem à meditação. Encontre aquilo que funciona melhor com você.

Outra dica é fazer cursos de assuntos que não tenham nada a ver com seu trabalho Por exemplo, massagem, jardinagem ou dança cigana. Isso ajuda sua mente a viajar e, quem sabe, até mesmo descobrir novas habilidades e um novo talento. Sua mente tem vários compartimentos e muitos, com certeza, ainda são desconhecidos.

Esqueça os anuários de criação, blogs de publicidade, campanhas de sucesso já premiadas. Busque inspiração com os maiores contadores de história: na literatura, no teatro, no cinema e na TV (leia-se séries gringas). Analise as engrenagens das obras que se comunicam ou retratam o target e o universo que você mapeou.

Se ainda assim a inspiração não chega, procuro ter contato com a natureza: piso no chão de terra ou abraço uma árvore. É sério! Isso ajuda – e muito. Mas, se a natureza está longe e o tempo é curto, vou até o parque mais próximo, deito na grama com o meu caderninho e a minha playlist preferida e deixo os pensamentos fluírem. Outra opção é ir até uma livraria e folhear livros de sessões que nunca daria bola. Deixe a mente sempre aberta.

E, por falar em mente aberta, deixe seu lado lúdico vir à tona. Passe uma tarde com seu filho ou sobrinho ou se ofereça para cuidar do filho do vizinho. Crianças são uma fonte inesgotável de criatividade.

Se você tem um prazo maior ou simplesmente está trabalhando em algo pessoal, aproveite e deixe seu projeto descansando um dia. Se você está escrevendo um texto e perde a inspiração, deixe para finalizá-lo no dia seguinte. Com o cérebro descansado, as ideias brotam mais facilmente e o momento tão esperado, o momento “eureca” surge naturalmente.

Outra alternativa é fazer uma lista de 50 ideias que você considera ruins e as colocar no papel em cinco minutos cronometrados. Essa é uma tática para soltar a criatividade, sem dar tempo para o julgamento atuar. Depois releia tudo e veja a mágica acontecer. Pelo menos uma ideia terá potencial para se tornar uma boa história. Ou, então, já teremos o cérebro aquecido e nos livramos daquela pressão “preciso ter uma grande ideia” – essa cobrança é a maior assassina da nossa criatividade.

Enfim, o bloqueio criativo é resultado de uma série de fatores que vão do aperto no coração à sensação de ser uma farsa e até mesmo vontade de pular num precipício. Todo ser humano tem “direito” a ele e o que importa é que existem mil e uma maneiras de driblá-lo. Dê um tempo, prepare a sua jogada e siga firme em direção a sua meta: criar uma boa história.

Se você tem uma equipe que precisa superar o bloqueio criativo para inovar, fale comigo no contato@andrecastilho.com ou mande um whatsapp para 11 96998-8002.

 

*Foto da capa por Oscar Keys obtida sob licença da Unsplash